Poemas

Ramadã

Nunca escondi de ninguém que tenho uma relação afetiva com o Islã. Me perdoem os que conhecem a religião de ouvir falar, mas eu a conheci vivendo no maior país muçulmano do mundo. Me desculpem os que se pautam pela mídia branca, masculina, heterossexual e tão patriarcal quanto a religião que alegam ser machista. ExisteContinuar lendo “Ramadã”

Le petite mort

DesnorteadaPerdidaAchadaAtrapalhadaTalvez um pouco amadaDe pé no parapeitoDo edifício mais altoDo precipícioEu saltoE surpreendentementenão morroNão me esborrachoEu vôoMinha pequena morteNão vê asfaltoEleva-se além do impossívelBem a tempo do seu abraço

A bela e o vinho

Não aprendi a dizer adeus A frase brega e recorrente Não aprendi Nunca aprendi jamais aprenderei Como seria a vida sem Dani ? Como será a vida sem Dani ? Como me serão as noites de vinho e os donuts transbordantes de recheio sem ela? Quem é ela? O nome dela é Daniela? A amigaContinuar lendo “A bela e o vinho”

Rose

Embora a música diga que devemos estar atentos e fortes, quase sem perceber, nós acabamos focando nossa mente muito mais em sermos fortes. Sobre estar atentos, quase que instintivamente canalizamos essa preocupação em estar atento apenas ao que NOS representa perigo. Eu nunca havia refletido que o estar atento poderia e deveria também dizer respeitoContinuar lendo “Rose”

As quatro Luas

As quatro Luas Talita, Tamillys, Rafaela, Adriana Quatro olhares por sobre o muro Lançando sementes Plantando o futuro As quatro estações Adriana, Rafaela, Tamillys, Talita Caminhar decidido por cima das águas Domando torvelinhos Superando mágoas Os quatro pontos cardeais A rosa dos ventos Beleza demais As saias rodando Chamando ancestrais Os quatro elementos Rafaela, Talita,Continuar lendo “As quatro Luas”

Pode a doença ser cura?

“Pouco há de patológico nas doenças que mutilam o homem. É o espírito que adoece sem que ele perceba.” VALERIA DE ALMEIDA Hoje em dia muito se espiritualiza sobre as doenças e a condição física humana. Tudo é psicossomático, fruto de falta de perdão, de amor ao próximo ou “ausência de Deus no coração”. PorContinuar lendo “Pode a doença ser cura?”

Eu santa e puta, resisto

Poema agraciado com menção honrosa no festival de poesia de Lisboa 2020 por Fabi, feminista de fibra, carrega o mundo no coração. Jornalista e bailarina,mestre em Educação, Arte e História da Cultura, doutoranda em Antropologia, especialista em Comunicação, Direitos Humanos e Gênero, que há anos escreve para a plataforma Brasileiras pelo Mundo, que congrega mulheresContinuar lendo “Eu santa e puta, resisto”

Saindo do meu armário: Cristã, feminista e fada

Eu sempre imaginei que fosse difícil sair do armário. Tentava me colocar no lugar dos meus amigos LGBTQIs e imaginar como deveria ser, passar por toda essa exposição e execração pública, simplesmente pela sua forma de amar. Parece que as diversas formas de amor incomodam muito mais do que as inúmeras formas de ódio, verdade?Continuar lendo “Saindo do meu armário: Cristã, feminista e fada”

Pássara

O cheiro de café invade o cômodoMistura-se ao cheiro do lençolCorpo de sereia sob a luz da lamparinabethoven: terceira sinfonia em mi bemol O seio empinado revela um frio incomodoele protege seu girassolEla até parece uma meninamas poderia ser um rouxinol 17/08/2020

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