Simples assim

Ela guardou o sorriso no bolso e soltou um longo e doído suspiro.

Sabia que as roupas de alegria demorariam muito a ser vestidas novamente.

Ela sabia que aquele dom era pessoal e intransferível.

A ânsia de viver que ele tanto via nela era em parte retroalimentada pelo sorriso dele.

Respirou fundo, tentou entoar um cântico, invocar um mantra, mas não saiu de sua boca um único som.

Estava oca, opaca, meio morta.

Eles esperaram tanto um pelo outro, mas a morte não perdoou a vida por esse arroubo de esperanças.

Eram tempos difíceis. Como haveriam assim de sorrir?

Como haveriam de desafiar a dor e a maldade ao redor?

Como cocriar sonhos em meio à dor, à morte e ao desespero?

Eles foram ingênuos e desatentos, foram pegos por um deslize fatal.

A morte aguardava na esquina, o desespero agonizante do final.

Publicado por Fabi Estrela

Fabi, feminista de fibra, carrega o mundo no coração. Jornalista e bailarina e Mestre em Educação, Arte e História da Cultura. É especialista em Educomunicação, Direitos Humanos e Gênero. Thetahealer e estudiosa do sagrado feminino. Louca por bichos, make up e tattoos. Bem útil e fútil. Tem rodinhas nos pés e asas nas costas, por isso alguns a chamam de fada. Aquariana de riso farto, vive há anos entre Ásia e Europa, onde se dedica a empoderar jovens para mudanças sociais em seus grupos identitários.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: